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Blecaute: bom, ruim ou uma oportunidade?

Quarta-feira, Novembro 11th, 2009

Quando as luzes se apagaram em grande parte do Brasil na noite desta terça-feira (10), coube ao rádio, único meio de comunicação disponível à maior parte das pessoas em meio ao blecaute, alertar para os riscos de se ficar nas ruas. O rádio chegou a transmitir recomendações do governo para que as pessoas não saíssem de casa para evitar a possível violência. 

Blecautes paralisam a maior parte dos alarmes contra roubo, causam caos no trânsito, permitem que criminosos atuem de forma mais fácil, mas, segundo o pesquisador norte-americano David Nye, também podem ter efeitos positivos para a sociedade. “A segurança é baseada na energia, mas um blecaute também revela como pessoas se tornaram isoladas por conta dos sistemas elétricos. Quando a TV, o som e o computador não funcionam, elas descobrem que têm vizinhos”.

Nye vem estudando os apagões registrados nos Estados Unidos desde 1935 em uma pesquisa a ser lançada no próximo ano no livro “When the lights went out” (Quando as luzes se apagaram, em tradução livre). Professor na Universidade do Sul da Dinamarca, ele tem mais de uma dezena de livros publicados sobre tecnologia e energia elétrica. 

Segundo Nye, apagões funcionam como uma “porta de entrada” que é empurrada pela sociedade e leva a uma situação completamente nova. “As pessoas podem ajudar umas às outras, podem decidir saquear lojas, podem começar uma festa nas ruas, ou apenas ficar em casa pacientemente esperando que ele termine. Muitas vezes vemos que as pessoas passam a conhecer seus vizinhos enquanto lutam para resolver os problemas advindos do blecaute, criando uma solidariedade surpreendente. No caso de um grande blecaute em Nova York em 1965, a maior parte das pessoas lembra dele como uma experiência positiva. A criminalidade foi mais baixa do que o normal, e milhões de pessoas foram às ruas e se divertiram.”

Energia alternativa

Nye explicou que as cidades industriais são dependentes demais de eletricidade, e que a tendência é de radicalização desse cenário. “Não há alternativa rápida, para o curto prazo. É tecnicamente possível, no entanto, criar um sistema energético menos centralizado, para encorajar as pessoas a produzirem parte da sua própria energia com matrizes eólicas e solares, além de ter sistemas de reserva para serviços essenciais, se tornando menos dependente de um único fornecedor”.

Se tivéssemos uma grande rede, ainda que secundária, de energias renováveis e alternativas - eólica, solar, etc. - não teríamos sofrido tanto com esse tipo de acontecimento. Esse blecaute só nos leva à certeza de que a energia como ela é hoje é insustentável, politicamente falando. Casos como esse tendem a acontecer mais vezes e é uma boa oportunidade de começar a se pensar seriamente numa política de massificação de energia alternativas, com subsídios para implementação de uma rede interligada de energia renováveis.

Nye continua: “Um blecaute de até duas horas como este deveria ser esperado periodicamente. Não importa o quão bem o sistema de transmissão seja desenhado e construído, ele é apenas uma máquina num mundo de falhas técnicas, acidentes e erros humanos ocasionais. Normalmente, quando um blecaute termina, todos começam uma ‘caça às bruxas’ para identificar o responsável. A ideia parece ser a de que ter este sistema elétrico gigantesco funcionando é perfeitamente normal e que qualquer defeito é um erro inaceitável. Mas nada vai funcionar 24 horas por dia para sempre. Quanto mais eu estudo isso, mais me impressiono com o fato de que a maioria desses sistemas funcionem bem quase todo o tempo.”

Para pensar: quantos de vocês têm acesso a algum tipo de energia renovável?

Fonte: G1

Patagônia sem represas!

Quarta-feira, Abril 16th, 2008

Quem conhece ou pelo menos já viu em fotos, sabe que a Patagônia Chilena é um dos lugares mais bonitos do mundo. Bastante preservada, a região impressiona pela mistura de cores e paisagens diferentes, e faz do lugar um paraíso pra quem gosta de admirar toda a beleza e exuberância da natureza.

Porém, infelizmente, toda essa beleza pode estar com os dias contados. Um projeto de construção de uma hidrelétrica pode alterar substancialmente o ecossistema, o que seria desastroso em termos ambientais. A proposta em questão é herança do governo Pinochet, que privatizou os direitos das águas no Chile. A principal detentora dos direitos agora é de uma empresa espanhola chamada Endesa, que em conjunto com a empresa local Colbún dirigem o projeto.

O Chile vive uma crise energética em função da seca, da forte redução na importação de gás natural da Argentina e da escalada do preço do barril de petróleo.

Porém, dizem os especialistas, que a construção não é a melhor saída para a crise e que há outras maneiras mais eficientes de sanar esse problema. O Chile tem um enorme potencial para energia solar, eólica, mareomotriz e geotérmica.

Ativistas ambientais, civis e as comunidades de Tortel e Cochrane –  municípios drasticamente atingidos caso se faça a obra - têm se reunido para fazer protestos contra a hidrelétrica, que teria duas barragens centrais no rio Pascua, outras duas no rio Baker e uma quinta no Rio Del Salto.


Apesar de ser uma tragédia em pontos ecológicos, o que mais preocupa os especialistas não é a construção da barragem em si, e sim a construção da linha de transmissão que servirá para conectar essa rede de alta voltagem de 2.000 quilômetros de extensão e que atravessará cinco parques nacionais e duas reservas de vida selvagem.

A construção em alta escala de barreiras hidrelétricas é uma maneira primitiva do mundo para obter energia. Com a atual conjuntura ambiental deste planeta, é preciso, urgentemente, procurar soluções ecologicamente corretas para a demanda de energia.

Vide sites: “Patagônia sem represas” e “International Rivers“.

Agora me digam, isso não é um crime contra a humanidade?

Perigo Submerso - Post Especial AKATU!

Sábado, Abril 12th, 2008

Publicação da SBPC informa que usinas hidrelétricas podem emitir até 10 vezes mais carbono por MWh do que as termelétricas.

Além disso, nosso relevo e nossos rios caudalosos nos permitem produzir eletricidade por meio do movimento das águas, libertando-nos das terríveis e poluentes termelétricas que abastecem as nações mais desenvolvidas. E ainda contamos com Itaipu, a maior usina hidrelétrica do mundo. Melhor ainda! Temos muitos e muitos trechos de rios disponíveis para construção de novas usinas para produzir a nossa “bendita” energia hidrelétrica, que é renovável e limpa. Será?

Uma reportagem publicada no último número da revista CiênciaHoje, editada pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), dá um banho de água fria em nosso entusiasmo hidrelétrico. A matéria apresenta um comparativo entre as emissões de gases de efeito estufa provocadas pelas termelétricas e pelas hidrelétricas instaladas em regiões tropicais e conclui que as hidrelétricas podem emitir até dez vezes mais carbono por MWh do que as termelétricas.

O problema das usinas hidrelétricas, especialmente as maiores, é que elas exigem a inundação de imensas áreas. Com o alagamento, a vegetação fica submersa, morre e se decompõe. Nesse processo, libera metano, um gás 23 vezes mais poderoso em seu efeito sobre o aquecimento global do que o gás carbônico, emitido pela queima de combustíveis fósseis pelas termelétricas.

Tudo isso já era conhecido dos cientistas, constando inclusive dos inventários brasileiros de emissões de gases de efeito estufa. O que os autores da reportagem, os pesquisadores Alexandre Kemenes, Bruce Forsberg e John Melack, descobriram é que os valores apresentados nos documentos dizem respeito somente às emissões que acontecem na represa, não contabilizando as liberações que ocorrem quando a água passa pelas turbinas nem posteriormente, ao longo do rio.

Essa informação serve para alertar ainda mais o consumidor a respeito da necessidade de usar a eletricidade com parcimônia. Mesmo em um país com uma matriz energética considerada limpa, a produção de eletricidade contribui, e muito, com o aquecimento global.

Por isso, lembre-se de fazer sua parte. Além de apagar as luzes ao sair dos ambientes e desligar todos os aparelhos elétricos e eletrônicos quando não estiverem sendo usados, busque sempre optar por equipamentos que consumam menos energia. O selo Procel é um bom indicador. E aproveite para trocar as lâmpadas convencionais pelas fluorescentes mais econômicas, que além de gastar menos eletricidade, duram muito mais. Você economizará o seu dinheiro e dará uma grande contribuição para a sociedade e o planeta.