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Patagônia sem represas!

Quarta-feira, Abril 16th, 2008

Quem conhece ou pelo menos já viu em fotos, sabe que a Patagônia Chilena é um dos lugares mais bonitos do mundo. Bastante preservada, a região impressiona pela mistura de cores e paisagens diferentes, e faz do lugar um paraíso pra quem gosta de admirar toda a beleza e exuberância da natureza.

Porém, infelizmente, toda essa beleza pode estar com os dias contados. Um projeto de construção de uma hidrelétrica pode alterar substancialmente o ecossistema, o que seria desastroso em termos ambientais. A proposta em questão é herança do governo Pinochet, que privatizou os direitos das águas no Chile. A principal detentora dos direitos agora é de uma empresa espanhola chamada Endesa, que em conjunto com a empresa local Colbún dirigem o projeto.

O Chile vive uma crise energética em função da seca, da forte redução na importação de gás natural da Argentina e da escalada do preço do barril de petróleo.

Porém, dizem os especialistas, que a construção não é a melhor saída para a crise e que há outras maneiras mais eficientes de sanar esse problema. O Chile tem um enorme potencial para energia solar, eólica, mareomotriz e geotérmica.

Ativistas ambientais, civis e as comunidades de Tortel e Cochrane –  municípios drasticamente atingidos caso se faça a obra - têm se reunido para fazer protestos contra a hidrelétrica, que teria duas barragens centrais no rio Pascua, outras duas no rio Baker e uma quinta no Rio Del Salto.


Apesar de ser uma tragédia em pontos ecológicos, o que mais preocupa os especialistas não é a construção da barragem em si, e sim a construção da linha de transmissão que servirá para conectar essa rede de alta voltagem de 2.000 quilômetros de extensão e que atravessará cinco parques nacionais e duas reservas de vida selvagem.

A construção em alta escala de barreiras hidrelétricas é uma maneira primitiva do mundo para obter energia. Com a atual conjuntura ambiental deste planeta, é preciso, urgentemente, procurar soluções ecologicamente corretas para a demanda de energia.

Vide sites: “Patagônia sem represas” e “International Rivers“.

Agora me digam, isso não é um crime contra a humanidade?

Perigo Submerso - Post Especial AKATU!

Sábado, Abril 12th, 2008

Publicação da SBPC informa que usinas hidrelétricas podem emitir até 10 vezes mais carbono por MWh do que as termelétricas.

Além disso, nosso relevo e nossos rios caudalosos nos permitem produzir eletricidade por meio do movimento das águas, libertando-nos das terríveis e poluentes termelétricas que abastecem as nações mais desenvolvidas. E ainda contamos com Itaipu, a maior usina hidrelétrica do mundo. Melhor ainda! Temos muitos e muitos trechos de rios disponíveis para construção de novas usinas para produzir a nossa “bendita” energia hidrelétrica, que é renovável e limpa. Será?

Uma reportagem publicada no último número da revista CiênciaHoje, editada pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), dá um banho de água fria em nosso entusiasmo hidrelétrico. A matéria apresenta um comparativo entre as emissões de gases de efeito estufa provocadas pelas termelétricas e pelas hidrelétricas instaladas em regiões tropicais e conclui que as hidrelétricas podem emitir até dez vezes mais carbono por MWh do que as termelétricas.

O problema das usinas hidrelétricas, especialmente as maiores, é que elas exigem a inundação de imensas áreas. Com o alagamento, a vegetação fica submersa, morre e se decompõe. Nesse processo, libera metano, um gás 23 vezes mais poderoso em seu efeito sobre o aquecimento global do que o gás carbônico, emitido pela queima de combustíveis fósseis pelas termelétricas.

Tudo isso já era conhecido dos cientistas, constando inclusive dos inventários brasileiros de emissões de gases de efeito estufa. O que os autores da reportagem, os pesquisadores Alexandre Kemenes, Bruce Forsberg e John Melack, descobriram é que os valores apresentados nos documentos dizem respeito somente às emissões que acontecem na represa, não contabilizando as liberações que ocorrem quando a água passa pelas turbinas nem posteriormente, ao longo do rio.

Essa informação serve para alertar ainda mais o consumidor a respeito da necessidade de usar a eletricidade com parcimônia. Mesmo em um país com uma matriz energética considerada limpa, a produção de eletricidade contribui, e muito, com o aquecimento global.

Por isso, lembre-se de fazer sua parte. Além de apagar as luzes ao sair dos ambientes e desligar todos os aparelhos elétricos e eletrônicos quando não estiverem sendo usados, busque sempre optar por equipamentos que consumam menos energia. O selo Procel é um bom indicador. E aproveite para trocar as lâmpadas convencionais pelas fluorescentes mais econômicas, que além de gastar menos eletricidade, duram muito mais. Você economizará o seu dinheiro e dará uma grande contribuição para a sociedade e o planeta.