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Combustível do Lixo!

Sexta-feira, Julho 25th, 2008

A empresa britânica Ineos Bios anunciou ter tecnologia para produzir álcool a partir do lixo em escala industrial dentro de dois anos.

A produção do combustível será feita a partir de lixo biodegradável municipal, lixo orgânico comercial e resíduos de agricultura, entre outros. Segundo a empresa, a tecnologia já foi testada em um projeto piloto nos Estados Unidos.

“Planejamos produzir quantidades comerciais de combustível de álcool de lixo para ser usado como combustível para carros dentro de dois anos”, afirmou Peter Williams, diretor executivo da Ineos Bio. A transformação se opera em três estágios. Primeiro, o lixo é superaquecido para a obtenção de gás. Este gás é usado para alimentar bactérias anaeróbicas (biocatalizadoras) que produzem o álcool. No estágio final, o álcool é purificado para ser usado como combustível puro ou misturado à gasolina.

A empresa alega que esta tecnologia tem a vantagem de não afetar a produção de alimentos. Uma tonelada de lixo seco pode ser transformada em cerca de 400 litros de álcool, informou a empresa.

“O fato de termos conseguido separar a segunda geração de biocombustíveis dos alimentos é um grande passo. Esperamos que a tecnologia garanta combustíveis renováveis e sustentáveis a um custo competitivo”, disse Williams. A empresa, no entanto, precisará da cooperação dos governos locais para ter acesso ao lixo.

Para quem se lembra do filme dirigido por Steven SpielbergDe volta para o Futuro“, isso não é novidade. Em uma das cenas da consagrada trilogia, o herói Marty McFly abastece sua máquina do tempo apenas com lixo. Será que estamos chegando nessa época?
Só por nostalgia, veja o trailer da trilogia. A música da trilha é a empolgante “The Power of Love” da banda Huey Lewis and The News

Carros etiquetados!

Quarta-feira, Julho 23rd, 2008

Ambientalistas e a indústria automobilística juntaram-se para introduzir uma etiqueta energética nos carros novos a partir de outubro desse ano.  A nova etiqueta energética pretende ser nos mesmos moldes das utilizadas em eletrodomésticos, com um código de letras, uma escala de cores e o fator médio de emissão de dióxido de carbono (CO2). Por meio da etiqueta, o consumidor poderá comparar modelos a partir do consumo de combustível, entre outras coisas.

Na Europa a etiqueta energética se tornou comum nas lojas e concessionárias de carros novos. Aqui, ao contrário da tendência mundial, os fabricantes tendem a esconder o real consumo, com medo da reação cada vez mais “verde” dos consumidores.

Essa ótima iniciativa permitirá, por exemplo, a adoção das mesmas etiquetas à disposição dos consumidores europeus, de visualização facílima e um fator importante de compra, especialmente em tempos de combustível fóssil em declínio e aquecimento global em escala ascendente.

Fique atento às etiquetas na hora da compra!

Etanol: Custos & Benefícios

Segunda-feira, Julho 14th, 2008

Mauro Kahn, analista da geopolítica do petróleo e do meio ambiente, foi o fundador do Clube do Petróleo. Nessa breve exposição, Mauro nos explica de forma clara e simples o que é mito e o que é verdade acerca do Etanol.

Vale a pena ler!

Os biocombustíveis se encontram no centro da discussão energética global, especialmente o programa brasileiro para a produção de álcool - sendo odiado e amado com o mesmo fervor por diversos especialistas e integrantes do setor energético. Deste debate, muitas vezes desviado pela desinformação do público, decorre uma série de mitos.

Analisando os mitos:

  • Mito 1 - O Brasil poderá ser responsabilizado pelo aumento dos alimentos no mundo.

MK: O argumento é exagerado, uma vez que o aumento dos alimentos decorre de uma serie de fatores que independem do Brasil. Por outro lado, é possível afirmar que esta demanda crescente por alimentos não deixa de ser uma ótima oportunidade para que o país venha a se tornar o maior exportador de alimentos do mundo. É possível visualizar o problema quando projetamos o avanço dos canaviais através dos estados do Paraná, Matogrosso, Goiás e Minas Gerais. É certo que o Brasil necessitará de uma organização e controle agrários acima daquele que dispomos hoje para impedir que essa expansão prejudique a pecuária e culturas geradoras de grãos.

Sem dúvida alguma, a plantação da cana-de-açúcar é bastante rentável, apresenta resultados rápidos e demanda investimentos relativamente menores do que outras atividades substitutas. A cana-de-açúcar é - de fato - uma monocultura com expressivas “barreiras de saída”. Por outro lado (ou justamente por isso), torna-se quase inviável o retorno para a atividade anterior. E, destarte, não é recomendável colocarmos todos os nossos os ovos em uma única cesta.

  • Mito 2 - O álcool é um combustível de extrema eficiência e capaz de substituir o petróleo com o espetacular aumento no preço do barril.

MK: Esse é um aspecto raramente colocado em xeque, no entanto de máxima importância. Ao contrário do que pode parecer a princípio, a cana-de-açúcar não produz tanta energia quanto setores interessados parecem sugerir. Lembremos que um hectare (10 000 m²), caso totalmente plantado, produz em média cerca de 7 000 litros de álcool. Levando em consideração que um carro movido a álcool consome, também em média, cerca de 3 500 litros por ano, pode-se calcular que será necessário meio hectare para abastecê-lo.

A título de exemplo, os jardins do Aterro do Flamengo - no Rio de Janeiro - possuem uma dimensão estimada em 120 hectares. A partir daí, não fica difícil imaginarmos que, se transformássemos a região em um extenso canavial, iríamos atender ao consumo de uma frota com apenas 250 automóveis (aproximadamente).

Observe que, para atendermos ao consumo da frota de automóveis da cidade do Rio de Janeiro - estimada em 2,5 milhões de veículos - seriam necessários cerca de 10 mil aterros!

Naturalmente, estes dados não excluem o valor do álcool como combustível complementar ao petróleo e ao gás natural. Quem viveu a década de 80, ainda se recorda da ajuda que o álcool nos proporcionou em plena crise do petróleo. Entretanto, cabe ressaltar que, naquela época, nossas reservas petrolíferas eram infinitamente inferiores às atuais, e que o GNV nem sequer era cogitado no Brasil. Hoje, não se pode mais colocar a questão sob a mesma perspectiva e nem o mesmo contexto. Não se pode olhar para trás.

  • Mito 3 - O álcool é um combustível ecológico e o planeta será favorecido por seu uso intensivo.

MK: Não há qualquer dúvida de que o álcool propriamente dito seja um combustível muito mais limpo do que os derivados do petróleo. No entanto, ao aprofundarmos a questão, este suposto ganho ecológico não se sustenta da mesma maneira.

Em primeiro lugar, o álcool não evita o consumo do óleo diesel, consideravelmente mais poluente do que a gasolina (muito pelo contrário: na realidade, ele indiretamente estimula este consumo, uma vez que o combustível é utilizado no transporte do álcool para os grandes centros). Além disso, não podemos ignorar as queimadas realizadas antes da colheita, outra fonte expressiva de poluentes.

A conclusão a que se chega, após todas as questões expostas, é de que o álcool surge ideal para metrópoles como São Paulo, onde uma frota incrivelmente grande acaba por gerar uma poluição insuportável. Já para uma cidade como Manaus - que por muito tempo poderá contar com as expressivas reservas de petróleo e gás de URUCU - o consumo de álcool não encontra justificativa razoável.

Fonte: Clube do Petróleo