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Poluição faz bem? Como assim?

Quarta-feira, Fevereiro 23rd, 2011

Uma pesquisa publicada esta semana pode ser considerada, no mínimo, estarrecedora. Publicada na revista Nature, a pesquisa afirma que a poluição do ar pode ajudar no combate ao aquecimento global, pois vem melhorando a forma como as plantas absorvem o gás carbônico

Os cientistas sugerem que o aumento do nível de poluição atmosférica provocou uma expansão da capacidade das plantas em capturar dióxido de carbono. Isso representa um aumento de 10% de absorção desde os anos 60.

O estudo acaba com um dogma da ciência, que tinha como verdade que as plantas crescem mais em dias de sol. Cientistas acreditam agora, que as plantas se beneficiam dos dias cinzentos, porque as nuvens e partículas na atmosfera difundem melhor a luz do sol e espalham mais a luminosidade, atingindo mais folhas, aumentando o processo da fotossíntese.


Eles acreditam que a poluição e suas consequências foram responsáveis por aumentar a produtividade das plantas em 23,7% entre 1960 e 1999.

O estudo mostra que, na medida em que o mundo tenta reduzir a fumaça e as partículas da atmosfera para beneficiar a saúde da população, isso fará com que seja necessário aumentar ainda mais os esforços para captura de dióxido de carbono, já que as plantas absorverão menos gás carbônico quando o ar está mais puro.

“[Com o combate ao aquecimento global], o ar ficará mais puro, e a contribuição que a difusão da radiação dá ao ambiente vai desaparecer”, disse à Nature a cientista Lina Mercado, do Centro de Ecologia e Hidrologia de Wallingford, no Reino Unido. “Nós precisamos levar isso em conta”.

Coisa inacreditável, não? Por favor, não saiam poluindo o ar com o intuito de salvar o meio ambiente!

Você acredita nisso? Tem algum especialista aí?

Fonte: BBC

Ilustração: Chris Madden

O mapa do mundo 4ºC acima

Terça-feira, Maio 25th, 2010

Produzido por cientistas, um estudo mostra como um aumento de 4 graus Celsius atingiria o mundo.

O mapa mostra como os rendimentos agrícolas deverão diminuir em todas as principais regiões de produção e como metade de todas as geleiras do Himalaia seriam significativamente reduzidas em 2050.

Os cientistas ajudaram a ilustrar os efeitos catastróficos que irão resultar se o mundo não limitar o aumento da temperatura global a 2 graus, no máximo.

Um continente de Lixo!

Quinta-feira, Agosto 6th, 2009

Chamada de “O Grande Depósito de Lixo do Pacífico” (The Great Pacific Garbage Patch), a ilha de plástico se localiza a 1600 km a oeste da Califórnia, em uma área de  ciclones criados pela alta pressão das correntes de ar, que produzem uma espécie de redemoinho que atrai e aprisiona o material plástico flutuante.

Não se sabe exatamente como o fenômeno do Grande Depósito de Lixo teve origem, mas estima-se que desde a década de 1950 a quantidade de material aprisionado vem crescendo à razão de 10 vezes a cada década e hoje está estimado em cerca de 5 milhões de toneladas de plástico. Segundo os especialistas, a maior parte do lixo ali presente é proveniente de países altamente industrializados, especialmente Japão e áreas da costa oeste americana.

Com o objetivo de entender um pouco mais sobre o fenômeno, um grupo de pesquisadores partiu nesta terça-feira rumo à montanha de lixo plástico, com o objetivo de estudar mais de perto as características da ilha.

“Esse é o tipo de problema que não está ao alcance dos olhos, mas tem impactos devastadores sobre o oceano”, disse Mary Crowley, co-fundadora do projeto Kaisei, uma expedição feita em parceria com o Instituto de Oceanografia Scripps, ligado à Universidade da Califórnia. Quase todos sabem que o plástico não é totalmente decomposto e que a cada dia se acumula mais na natureza. Grande parte desse material descartado tem como destino certo os mares e oceanos e sua concentração é tão alta que formou uma verdadeira ilha flutuante do tamanho da Inglaterra e que se encontra à deriva no oceano Pacífico.

Crowley navega no Pacífico há mais de 40 anos e diz que a cada dia que passa mais e mais detritos plásticos são vistos. “Sejam garrafas plásticas, barris, brinquedos, material de pesca, todo o tipo de material plástico é observado até mesmo nas ilhas e praias mais remotas”, disse.

Além da expedição Kaisei, outro navio com 20 pesquisadores a bordo partiu no último domingo em direção à ilha. Chamada New Horizon, a expedição é financiada pela Universidade da Califórnia e deverá permanecer na região por tempo indeterminado. Os cientistas farão os primeiros levantamentos de como o plástico acumulado afeta a fauna e a flora marinha, além de realizarem estudos preliminares sobre a viabilidade de limpeza da ilha de lixo.

“Vamos tentar mapear as áreas com maior concentração de material e começar a compreender um pouco mais sobre o problema”, disse Miriam Goldstein, cientista chefe da expedição Scripps. “A equipe de pesquisadores estudarão principalmente o efeito do plástico sobre os fitoplânctons e o possível impacto sobre a alimentação dos cardumes de pequenos peixes.

No entender de Holly Bamford, cientista ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, NOAA, a limpeza do oceano pode ser praticamente impossível. Segundo Bamford, a maior parte dos plásticos é formada por pedaços muito pequenos, que se quebram ainda mais devido à incidência dos raios ultravioleta emitidos pelo Sol, produzindo minúsculos fragmentos similares a confetes.

De acordo com Bamford, esses micro-fragmentos se espalham muito rapidamente e bilhões deles flutuam abaixo da superfície em uma esteira de lixo que já atinge o norte do Havaí, mas podem se espalhar ainda mais devido às correntes e época do ano.

“A localização dos fragmentos é muito difícil de ser determinada. Até entendermos melhor a extensão do dano, o tamanho dos fragmentos e como se movimentam, não seremos capazes de afirmar como esse lixo será removido”.

Segundo o programa ambiental das Nações Unidas, estima-se que no Pacífico Central existem até 6 quilos de lixo plástico para cada quilo de plâncton e cerca de 46 mil peças de plástico para cada quilômetro quadrado de oceano.

Leia a matéria publicada aqui em fevereiro de 2008.