Um continente de Lixo!
Chamada de “O Grande Depósito de Lixo do Pacífico” (The Great Pacific Garbage Patch), a ilha de plástico se localiza a 1600 km a oeste da Califórnia, em uma área de ciclones criados pela alta pressão das correntes de ar, que produzem uma espécie de redemoinho que atrai e aprisiona o material plástico flutuante.
Não se sabe exatamente como o fenômeno do Grande Depósito de Lixo teve origem, mas estima-se que desde a década de 1950 a quantidade de material aprisionado vem crescendo à razão de 10 vezes a cada década e hoje está estimado em cerca de 5 milhões de toneladas de plástico. Segundo os especialistas, a maior parte do lixo ali presente é proveniente de países altamente industrializados, especialmente Japão e áreas da costa oeste americana.
Com o objetivo de entender um pouco mais sobre o fenômeno, um grupo de pesquisadores partiu nesta terça-feira rumo à montanha de lixo plástico, com o objetivo de estudar mais de perto as características da ilha.
“Esse é o tipo de problema que não está ao alcance dos olhos, mas tem impactos devastadores sobre o oceano”, disse Mary Crowley, co-fundadora do projeto Kaisei, uma expedição feita em parceria com o Instituto de Oceanografia Scripps, ligado à Universidade da Califórnia. Quase todos sabem que o plástico não é totalmente decomposto e que a cada dia se acumula mais na natureza. Grande parte desse material descartado tem como destino certo os mares e oceanos e sua concentração é tão alta que formou uma verdadeira ilha flutuante do tamanho da Inglaterra e que se encontra à deriva no oceano Pacífico.
Crowley navega no Pacífico há mais de 40 anos e diz que a cada dia que passa mais e mais detritos plásticos são vistos. “Sejam garrafas plásticas, barris, brinquedos, material de pesca, todo o tipo de material plástico é observado até mesmo nas ilhas e praias mais remotas”, disse.
Além da expedição Kaisei, outro navio com 20 pesquisadores a bordo partiu no último domingo em direção à ilha. Chamada New Horizon, a expedição é financiada pela Universidade da Califórnia e deverá permanecer na região por tempo indeterminado. Os cientistas farão os primeiros levantamentos de como o plástico acumulado afeta a fauna e a flora marinha, além de realizarem estudos preliminares sobre a viabilidade de limpeza da ilha de lixo.
“Vamos tentar mapear as áreas com maior concentração de material e começar a compreender um pouco mais sobre o problema”, disse Miriam Goldstein, cientista chefe da expedição Scripps. “A equipe de pesquisadores estudarão principalmente o efeito do plástico sobre os fitoplânctons e o possível impacto sobre a alimentação dos cardumes de pequenos peixes.
No entender de Holly Bamford, cientista ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, NOAA, a limpeza do oceano pode ser praticamente impossível. Segundo Bamford, a maior parte dos plásticos é formada por pedaços muito pequenos, que se quebram ainda mais devido à incidência dos raios ultravioleta emitidos pelo Sol, produzindo minúsculos fragmentos similares a confetes.
De acordo com Bamford, esses micro-fragmentos se espalham muito rapidamente e bilhões deles flutuam abaixo da superfície em uma esteira de lixo que já atinge o norte do Havaí, mas podem se espalhar ainda mais devido às correntes e época do ano.
“A localização dos fragmentos é muito difícil de ser determinada. Até entendermos melhor a extensão do dano, o tamanho dos fragmentos e como se movimentam, não seremos capazes de afirmar como esse lixo será removido”.
Segundo o programa ambiental das Nações Unidas, estima-se que no Pacífico Central existem até 6 quilos de lixo plástico para cada quilo de plâncton e cerca de 46 mil peças de plástico para cada quilômetro quadrado de oceano.
postado em: 06 de Agosto de 2009 por Flávio Vieira


06 de Agosto de 2009 às 07h46
O lixo, de maneira geral, é o maior problema do mundo! Gerado diariamente e em grande quantidade, os governos de praticamente todos os países não estão preocupados em lidar com esse problema. Pq digo isso?
Eles se preocupam apenas com o custo financeiro de ter q tratar o lixo da maneira adequada, ao invés de pensar no benefício social e ecologico que isso poderá trazer as futuras gerações.
Um aterro sanitário, do ponto de vista economico, é bastante caro. Então “criam” Lixões espalhados pelo mundo OU despejam o lixo no mar OU IMPORTAM para outros países (países da America Latina ou países da Africa).
Daqui ha um tempo a gente vai é se afundar na lama das lixões e beber chorume no café da manhã…
01 de Março de 2010 às 12h37
[…] Como já publicado anteriormente aqui, uma enorme quantidade de lixo - em sua maioria lixo plástico - está se formando no meio do Oceano Atlântico. A descoberta, que lembra a já conhecida “grande mancha de lixo do Pacífico”, foi revelada em um encontro científico em Portland, nos Estados Unidos.”Nós encontramos uma região mais ou menos ao norte do Oceano Atlântico onde estes resíduos parecem estar concentrados e permanecem durante longos períodos”, disse Kara Lavender Law.Segundo ela, mais de 80% do lixo plástico foram encontrados na região entre 22 e 38 graus norte. “Ou seja,temos uma latitude onde o lixo parece se acumular”, concluiu a pesquisadora. O estudo, o mais longo sobre o tema, foi realizado ao longo de 22 anos.Para determinarem a presença de resíduos plásticos nos oceanos, uma equipe da SEA coletou os materiais em redes de malha fina. Ao total, foram 6.100 reboques na região do Caribe e do Atlântico Norte - e mais de 64.000 pedaços de plástico coletados.E o mais incrível é que nós continuamos a jogar esse tipo de lixo no mar, na rua, nos rios, etc. É inacreditável. Veja algumas fotos que mostram bem do que o plástico é capaz. Bonito, não? […]