Etanol: Custos & Benefícios
Mauro Kahn, analista da geopolítica do petróleo e do meio ambiente, foi o fundador do Clube do Petróleo. Nessa breve exposição, Mauro nos explica de forma clara e simples o que é mito e o que é verdade acerca do Etanol.
Vale a pena ler!
Os biocombustíveis se encontram no centro da discussão energética global, especialmente o programa brasileiro para a produção de álcool - sendo odiado e amado com o mesmo fervor por diversos especialistas e integrantes do setor energético. Deste debate, muitas vezes desviado pela desinformação do público, decorre uma série de mitos.
Analisando os mitos:
- Mito 1 - O Brasil poderá ser responsabilizado pelo aumento dos alimentos no mundo.
MK: O argumento é exagerado, uma vez que o aumento dos alimentos decorre de uma serie de fatores que independem do Brasil. Por outro lado, é possível afirmar que esta demanda crescente por alimentos não deixa de ser uma ótima oportunidade para que o país venha a se tornar o maior exportador de alimentos do mundo. É possível visualizar o problema quando projetamos o avanço dos canaviais através dos estados do Paraná, Matogrosso, Goiás e Minas Gerais. É certo que o Brasil necessitará de uma organização e controle agrários acima daquele que dispomos hoje para impedir que essa expansão prejudique a pecuária e culturas geradoras de grãos.
Sem dúvida alguma, a plantação da cana-de-açúcar é bastante rentável, apresenta resultados rápidos e demanda investimentos relativamente menores do que outras atividades substitutas. A cana-de-açúcar é - de fato - uma monocultura com expressivas “barreiras de saída”. Por outro lado (ou justamente por isso), torna-se quase inviável o retorno para a atividade anterior. E, destarte, não é recomendável colocarmos todos os nossos os ovos em uma única cesta.
- Mito 2 - O álcool é um combustível de extrema eficiência e capaz de substituir o petróleo com o espetacular aumento no preço do barril.
MK: Esse é um aspecto raramente colocado em xeque, no entanto de máxima importância. Ao contrário do que pode parecer a princípio, a cana-de-açúcar não produz tanta energia quanto setores interessados parecem sugerir. Lembremos que um hectare (10 000 m²), caso totalmente plantado, produz em média cerca de 7 000 litros de álcool. Levando em consideração que um carro movido a álcool consome, também em média, cerca de 3 500 litros por ano, pode-se calcular que será necessário meio hectare para abastecê-lo.
A título de exemplo, os jardins do Aterro do Flamengo - no Rio de Janeiro - possuem uma dimensão estimada em 120 hectares. A partir daí, não fica difícil imaginarmos que, se transformássemos a região em um extenso canavial, iríamos atender ao consumo de uma frota com apenas 250 automóveis (aproximadamente).
Observe que, para atendermos ao consumo da frota de automóveis da cidade do Rio de Janeiro - estimada em 2,5 milhões de veículos - seriam necessários cerca de 10 mil aterros!
Naturalmente, estes dados não excluem o valor do álcool como combustível complementar ao petróleo e ao gás natural. Quem viveu a década de 80, ainda se recorda da ajuda que o álcool nos proporcionou em plena crise do petróleo. Entretanto, cabe ressaltar que, naquela época, nossas reservas petrolíferas eram infinitamente inferiores às atuais, e que o GNV nem sequer era cogitado no Brasil. Hoje, não se pode mais colocar a questão sob a mesma perspectiva e nem o mesmo contexto. Não se pode olhar para trás.
- Mito 3 - O álcool é um combustível ecológico e o planeta será favorecido por seu uso intensivo.
MK: Não há qualquer dúvida de que o álcool propriamente dito seja um combustível muito mais limpo do que os derivados do petróleo. No entanto, ao aprofundarmos a questão, este suposto ganho ecológico não se sustenta da mesma maneira.
Em primeiro lugar, o álcool não evita o consumo do óleo diesel, consideravelmente mais poluente do que a gasolina (muito pelo contrário: na realidade, ele indiretamente estimula este consumo, uma vez que o combustível é utilizado no transporte do álcool para os grandes centros). Além disso, não podemos ignorar as queimadas realizadas antes da colheita, outra fonte expressiva de poluentes.
A conclusão a que se chega, após todas as questões expostas, é de que o álcool surge ideal para metrópoles como São Paulo, onde uma frota incrivelmente grande acaba por gerar uma poluição insuportável. Já para uma cidade como Manaus - que por muito tempo poderá contar com as expressivas reservas de petróleo e gás de URUCU - o consumo de álcool não encontra justificativa razoável.
Fonte: Clube do Petróleo
postado em: 14 de Julho de 2008 por Flávio Vieira

15 de Julho de 2008 às 11h45
falácias.
tô cansado desses caras querendo defender. quero ouvir esses argumentos do clube do alcool, ou do clube do hidrogenio…
era dos combustiveis fosseis acabou, acorda.
20 de Julho de 2008 às 01h16
http://www.core77.com/blog/featured_items/its_the_economy_stupid_a_macroeconomic_primer_for_designers_and_sustainability_by_robert_blinn_10263.asp
olha aí flávio. um ótimo texto para ser traduzido aqui no blog….ainda mais depois dessa “análise” do clube do petróleo.
04 de Dezembro de 2008 às 09h54
[…] estacionamento há vagas e benefícios para os carros que utilizam biocombustivel. Além disso, foram instalados um bicicletário, uma estação de reciclagem e paisagismo com […]
25 de Maio de 2010 às 08h46
Curso de Extensão Rompendo com a Monocultura do Consumo
Período de Inscrição: 12/05/2010 a 03/06/2010
Objetivos:
Partindo do pensamento de Boaventura de Sousa Santos (e outros autores), procuramos propor uma reflexão crítica sobre a sociedade de consumo e seus desdobramentos na vida cotidiana, debatendo o efeito que a mesma produz na construção das identidades contemporâneas. Também é objetivo nosso discutir as possibilidades concretas do consumo como ato político e dos limites do chamado “consumo consciente”. Por fim, buscamos construir as bases teóricas para uma prática de consumo solidário/emancipatório a partir dos conceitos de “sociologia das emergências” e “economia solidária”
Metodologia: aulas expositivas
Conteúdo Programático :
- O sentido social do consumo e seus desdobramentos na vida cotidiana
- Do corpo à mercantilização da vida: uma reflexão sobre o discurso da mídia e das campanhas publicitárias
- O consumo pode ser consciente? - mitos e possibilidades
- A verdadeira experiência política dentro do consumo: rompendo com a monocultura
- A experiência da Economia Solidária
Valores
À vista: R$ 500,00
Descontos (à vista ou na parcela): 30% para profissionais cadastrados no CONRERP (apresentar carteira do Conselho); 20% para ex-alunos da FCS/UERJ (apresentar comprovante).
DESCONTOS ESPECIAIS:
20% (vinte por cento) para alunos e ex-alunos dos cursos de Especialização em Pesquisa de Mercado e Opinião Pública e em Jornalismo Cultural, da UERJ.
20% (vinte por cento) para associados da ABRH.
30% (trinta por cento) para grupos de 05 a 10 pessoas.
50% (cinquenta por cento) para grupos acima de 10 pessoas.
CENTRO DE PRODUÇÃO DA UERJ
Rua São Francisco Xavier, 524, sala 1006, bloco A, 1º andar
Maracanã - Rio de Janeiro-RJ
Atendimento na recepção de 9h às 18h.
Informações: Tel.: (21) 2334-0639 ou e-mail: cepuerj@uerj.br
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