Perigo Submerso - Post Especial AKATU!

Publicação da SBPC informa que usinas hidrelétricas podem emitir até 10 vezes mais carbono por MWh do que as termelétricas.

Além disso, nosso relevo e nossos rios caudalosos nos permitem produzir eletricidade por meio do movimento das águas, libertando-nos das terríveis e poluentes termelétricas que abastecem as nações mais desenvolvidas. E ainda contamos com Itaipu, a maior usina hidrelétrica do mundo. Melhor ainda! Temos muitos e muitos trechos de rios disponíveis para construção de novas usinas para produzir a nossa “bendita” energia hidrelétrica, que é renovável e limpa. Será?

Uma reportagem publicada no último número da revista CiênciaHoje, editada pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), dá um banho de água fria em nosso entusiasmo hidrelétrico. A matéria apresenta um comparativo entre as emissões de gases de efeito estufa provocadas pelas termelétricas e pelas hidrelétricas instaladas em regiões tropicais e conclui que as hidrelétricas podem emitir até dez vezes mais carbono por MWh do que as termelétricas.

O problema das usinas hidrelétricas, especialmente as maiores, é que elas exigem a inundação de imensas áreas. Com o alagamento, a vegetação fica submersa, morre e se decompõe. Nesse processo, libera metano, um gás 23 vezes mais poderoso em seu efeito sobre o aquecimento global do que o gás carbônico, emitido pela queima de combustíveis fósseis pelas termelétricas.

Tudo isso já era conhecido dos cientistas, constando inclusive dos inventários brasileiros de emissões de gases de efeito estufa. O que os autores da reportagem, os pesquisadores Alexandre Kemenes, Bruce Forsberg e John Melack, descobriram é que os valores apresentados nos documentos dizem respeito somente às emissões que acontecem na represa, não contabilizando as liberações que ocorrem quando a água passa pelas turbinas nem posteriormente, ao longo do rio.

Essa informação serve para alertar ainda mais o consumidor a respeito da necessidade de usar a eletricidade com parcimônia. Mesmo em um país com uma matriz energética considerada limpa, a produção de eletricidade contribui, e muito, com o aquecimento global.

Por isso, lembre-se de fazer sua parte. Além de apagar as luzes ao sair dos ambientes e desligar todos os aparelhos elétricos e eletrônicos quando não estiverem sendo usados, busque sempre optar por equipamentos que consumam menos energia. O selo Procel é um bom indicador. E aproveite para trocar as lâmpadas convencionais pelas fluorescentes mais econômicas, que além de gastar menos eletricidade, duram muito mais. Você economizará o seu dinheiro e dará uma grande contribuição para a sociedade e o planeta.

postado em: 12 de Abril de 2008 por Flávio Vieira

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3 comentários para “Perigo Submerso - Post Especial AKATU!”

  1. Dr. Chicletinho Says:

    Flávio, mais uma vez me impressionando.
    Parabéns pela matéria.
    Abraços

    Dr. Chicletinho

  2. rau Says:

    É, temos que tentar economizar energia da forma que for pra evitarmos a necessidade da construção de novas usinas hidrelétricas, mas gostaria de fazer um comentário com relação às lâmpadas econômicas e no final passarei alguns links sobre o assunto pra clarifica-lo mais.

    Lâmpadas fluorescentes têm um baixo fator de potência o que basicamente seria uma defasagem da corrente com a tensão (”voltagem). Essa defasagem faz com que a potencia real consumida por uma lâmpada seja maior do que o valor divulgado pro consumidor. Quer dizer que uma lâmpada de 20watts por exemplo não consome mais do que 20watts? Sim! Quer dizer então que eu pago mais do que 20watts? Não necessariamente - explarei mais abaixo. Primeiro vamos ver o que acontece.

    Não vou entrar em detalhes técnicos, até pq eu não tenho tanto conhecimento para tal, mas basicamente uma lâmpada enconomica tem um fator depotencia da ordem de 0,5 à 0,6 o que significa que pra alimentar uma lâmpada de 20watts com FP = 0,5 - isso vem estampado no corpo da lâmpada - seja necessários que sejam produzidos 40VA (Voltampere) ou basicamente 40 watts. O que causa isso é a defasagem que elas provocam entre a corrente (A) e a tensão (V). Isso tb é conhecido como distorção harmônica, que em determinados ambientes é tão elevada que interfere em outros equipamentos eletronicos, principalmente de audio e video.

    No Brasil o consumidor doméstico não é taxado pelo que chamam de potencia reativa, então essa defasagem provocada pelo baixo fator de potencia não é cobrado do cliente, mas de uma forma ou de outra, 40watts tiveram que ser produzidos e entregue à casa do consumidor pra alimentar uma lâmpada de 20watts com FP = 0,5, isso é fato.

    As normas atuais exigem que lâmpadas fluorescentes acima de 60watts, se não me engano, tenham fator depotencia próximo de 1. Sâo lâmpadas mais caras… Nesse caso não são as lâmpadas mas seus reatores pra alimenta-las.

    O que quero dizer com isso tudo é que se vc comprar uma lâmpada de 26 watts ou pior de, 36watts, pra substituir uma incandescente de 60watts achando que está fazendo um bem ao meio ambiente, ledo engano, meu amigo! Uma lâmpada economica de 36watts exige que sejam produzidos 72VA (72watts) pra ser acendida! Vai haver uma economia no seu bolso sem dúvida, caso seja usuário doméstico, mas pro meio ambiente é um tiro no pé! Atualmente não existem lâmpadas fluorescentes compactas com alto FP, o melhor dos casos é 0,65. O custo pra produzir essas lâmpadas com alto FP é muito alto e o consumidor doméstico não pagaria o seu valor.

    Esse é UM dos problemas, no que tange às questões ambientais, já que existem outros problemas causados por essas lâmpadas, mas vamos nos ater apenas ao meio ambiente aqui.

    O outro problema é o mercúrio presente nessas lâmpadas. Não existe campanha ou incentivo algum à reciclagem e manuseio delas. Nunca jogue uma lâmpada dessas no lixo! A maioria delas infelizmente vão parar em aterros sanitários, o que ainda é menos mal porque esses aterros geralmente são isolados com plástico por baixo, mas e nos casos em que elas são jogadas em terrênos baldios, rios, riachos, córregos? E outra coisa que me deixou bravo, um amigo meu disse pra mim que ele dá as lâmpadas queimadas pros moleques na rua fazer cerol, pode uma coisa dessas???

    Eu gostaria aqui falar sobre todos os problemas causados por essas lampadazinhas, mas o texto já está muito longo. Vou citar dois links, em inglês e em português, sendo que o em inglês é muito mais completo, sobre os problemas gerados por essas lâmpadas.

    De qualquer forma não estou incentivando que parem de usar essas lâmpadas, pelo contrário, quero que conheçam sobre suas vantagens e desvantagens e as usem de acordo como devem ser usadadas. Aqui em casa mesmo praticamente todos os cômodos são iluminados por lâmpadas econômicas…

    Vão aí os links:

    Sobre o Fator de potencia:

    http://www.eletronica.org/modules.php?name=News&file=article&sid=208

    O link abaixo dá várias dicas sobre essas lâmpadas e fala um pouco da vida util. Alguém aqui consegue 8000 horas de vida util nas suas lampadas? Dificil, né? Aqui em casa elas duram em média 1 ano usando algumas horas por dia, o que fica longe das teóricas 8000 horas. Isso se deve aos ciclos de liga e desliga, variações de tensão, temperatura em que são utilizadas, etc. Saiba mais nos links baixos.

    http://www.grupozug.com.br/ENGEL/Osram.htm

    Sobre todas as questões relacionados às lampadas compactas, muito interessante, um pouco técnico talvez, mas em inglês:

    http://sound.westhost.com/articles/incandescent.htm#ref

  3. A “hora do rush” da energia elétrica « Tarja Verde Says:

    […] que, no Brasil, temos a maior parte da energia gerada em hidroelétricas (o que é bom). No entanto, precisamos manter várias usinas (em sua maioria, termoelétricas) em posição, para […]

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